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domingo, 1 de maio de 2011

Soneto 64



Quando vi desfigurada pela terrível mão do tempo
A altivez de eras de outrora;
Quando torres antes altíssimas vi arrasadas
E o bronze, eterno escravo da fúria mortal;
Quando vi o oceano faminto
Avançar um dia sobre a areia da praia,
Para depois o solo firme vencer terreno líquido,
A abundância da perda e a perda da abundância;
Quando vi esse intercâmbio de estados,
Ou o próprio estado desfeito
A ruína veio me ensinar
Que o Tempo virá levar o meu amor.

Shakespeare.

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